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Trabalho não conforme começa antes do erro aparecer!

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    Conformità
  • 19 de fev.
  • 2 min de leitura

Tem um momento na rotina do laboratório que quase sempre passa despercebido!


Imagem livre - https://br.freepik.com
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O equipamento oscila durante o ensaio. O analista percebe, acompanha, faz um ajuste e o processo segue. O método previa uma condição específica, mas foi necessário adaptar um detalhe operacional. Um registro é feito depois, para não interromper o fluxo.


  • Nada explodiu.

  • O resultado foi emitido.

  • O cliente não reclamou.


E é justamente por isso que esse tipo de situação raramente é visto como trabalho não conforme.


Quando falamos em trabalho não conforme na ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, muitos ainda associam o tema a erro evidente, retrabalho ou resultado inválido. Mas a norma não trata apenas do erro consumado — ela trata do desvio em relação ao que foi planejado.


E desvio nem sempre significa falha grave. Significa que algo não ocorreu exatamente como definido em método, procedimento ou condição estabelecida.


A questão mais interessante não é se o desvio comprometeu o resultado.

É como o laboratório decide isso.


Quando não existe um critério claro de avaliação, a decisão acaba ficando no campo da percepção individual. Um analista pode entender que “não impacta”. Outro, diante da mesma situação, pode registrar e analisar. O sistema passa a depender da experiência de quem está executando — e não de um raciocínio estruturado.


É aqui que a conexão com gestão de riscos se torna relevante.


A 17025 incorporou o pensamento baseado em risco justamente para evitar que o laboratório atue apenas de forma reativa. Se um desvio ocorre e não é avaliado formalmente, o risco não é apenas técnico — é sistêmico. Ele pode afetar a rastreabilidade da decisão, a coerência entre equipes e, principalmente, a capacidade de demonstrar que a validade do resultado foi preservada.

 

Tratar trabalho não conforme não é “abrir ocorrência para tudo”. Também não é transformar qualquer variação em ação corretiva. É garantir que exista um raciocínio técnico minimamente padronizado para responder a três perguntas simples:


  • O que saiu do previsto?

  • Há possibilidade técnica de impacto?

  • Como essa decisão foi sustentada?


Quando esse processo é claro para a equipe, o requisito deixa de ser burocrático e passa a ser uma camada real de proteção do resultado.


Talvez o ponto mais delicado seja reconhecer que maturidade não é ausência de desvio. É consistência na forma de decidir diante dele.

E isso começa antes do erro aparecer.


Por Etiene Benini Mendes | Conformità

 
 
 

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